América Latina e atuação transfronteiriça

Extradições

Defesa em procedimentos de extradição nos EUA envolvendo nacionais latino-americanos; prisão provisória, fiança e contestações fundadas em tratados.

Overview

A extradição dos Estados Unidos para países da América Latina (ou de nacionais latino-americanos detidos nos Estados Unidos) envolve um arcabouço especializado na interseção entre o direito penal federal, os tratados internacionais e os direitos constitucionais. O tratado de extradição de cada país com os Estados Unidos especifica os delitos abrangidos, o ônus da prova e as defesas disponíveis à pessoa procurada.

A defesa em extradição exige domínio tanto do processo penal federal dos EUA quanto do sistema jurídico do país requerente. Não é possível contestar de forma consistente se o delito imputado é passível de extradição sob um tratado sem compreender como o delito é definido e processado na jurisdição requerente. Uma acusação de fraude no Uruguai ou uma alegação de corrupção no Brasil deve ser analisada tanto à luz do tratado quanto do direito estrangeiro aplicável.

A prática do escritório voltada à América Latina, com Daniel Fridman conduzindo procedimentos em espanhol e português e Michael Garcia fluente em espanhol, permite examinar diretamente os materiais jurídicos da jurisdição requerente. O escritório mantém relacionamentos com advogados criminalistas de destaque no México, no Brasil, na Argentina, na Colômbia, no Chile e em outros países, o que possibilita uma estratégia coordenada tanto no procedimento de extradição nos EUA quanto em eventuais procedimentos paralelos no país requerente.

Our Approach

A estratégia de defesa em extradição começa por uma análise do tratado: o delito imputado é passível de extradição, qual o quantum de prova exigido pelo tratado e quais defesas categóricas (exceção de crime político, dupla incriminação, prescrição) se aplicam? Essas questões devem ser respondidas antes de uma audiência de fiança e antes de qualquer argumentação de mérito.

A fiança em procedimentos de extradição é regida por um regime jurídico distinto do aplicável à prisão preventiva ordinária. O standard não é o mesmo que rege réus em processos penais internos, e os argumentos pela liberdade exigem uma atuação sob medida, com base no tratado específico e nas circunstâncias do cliente.

Representative Experience

White Collar & Government Investigations

  • Ação penal por remessa de dinheiro sem licença

    Representa cliente acusado no Southern District of Florida de lavagem de dinheiro decorrente de alegações de remessa de dinheiro sem licença, em um caso que envolve mais de US$350 milhões e figura entre os maiores do gênero já movidos pelo governo federal. O cliente encontra-se na Argentina aguardando o processo de extradição.

Latin America & Cross-Border

  • Defesa em extradição brasileira ligada à Operação Lava Jato

    Defesa de um cidadão brasileiro nos Estados Unidos contra um pedido de extradição relacionado a um desdobramento da Operação Lava Jato, combinando a prática de extradição nos EUA com a compreensão do processo brasileiro subjacente e em coordenação com advogados locais no Brasil em ambos os sistemas jurídicos.

Frequently Asked Questions

O que é o requisito da dupla incriminação na extradição?

A dupla incriminação exige que o delito pelo qual a extradição é solicitada constitua crime tanto no país requerente quanto no país requerido. Se a conduta não for crime sob o direito dos EUA, ou se os EUA e o país requerente definirem o delito de forma diferente, a dupla incriminação pode não estar satisfeita e a extradição pode ser contestada. A análise exige o exame tanto do texto do tratado quanto dos fatos específicos alegados.

O que é a prisão provisória em um procedimento de extradição?

A prisão provisória é uma prisão de caráter emergencial realizada a pedido de um governo estrangeiro antes do recebimento dos documentos formais de extradição. A maioria dos tratados de extradição dos EUA permite a prisão provisória enquanto o pedido formal é preparado. A pessoa presa tem direito a uma audiência de fiança sob o standard aplicável do tratado e deve contestar a prisão rapidamente para evitar detenção prolongada antes da chegada dos documentos formais de extradição.

Meu cliente é objeto de uma difusão vermelha (Red Notice) da INTERPOL. Uma difusão vermelha exige a extradição e como ela pode ser contestada?

Uma difusão vermelha não é um mandado, uma ordem de prisão nem uma obrigação decorrente de tratado de extradição. Trata-se de um pedido de um país-membro para localizar e prender provisoriamente uma pessoa com vistas à extradição. Ela gera consequências práticas (risco em travessias de fronteira, dificuldades bancárias, restrições de viagem), mas não obriga juridicamente, por si só, a extradição por nenhum país. Se uma pessoa objeto de difusão vermelha será de fato presa e extraditada depende do tratado de extradição entre o país onde a pessoa se encontra e o Estado requerente, da dupla incriminação do delito imputado e do relacionamento político entre os países. A contestação de uma difusão vermelha exige um requerimento à Comissão para o Controle dos Arquivos da INTERPOL (CCF). A CCF examina se a difusão está em conformidade com o Estatuto e as normas da INTERPOL, inclusive se foi emitida com finalidade predominantemente política, militar, religiosa ou racial, o que violaria os princípios de neutralidade da INTERPOL. Contestações bem-sucedidas perante a CCF já resultaram na exclusão de difusões emitidas por governos que utilizam os procedimentos da INTERPOL para perseguição política. O escritório mantém relacionamentos com advogados experientes perante a CCF na contestação de difusões vermelhas abusivas.

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